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Ankoku Densetsu: O “Castlevania Genérico” que Você Precisa Conhecer no PC Engine

Se você é fã de um bom side-scrolling de ação com temática sombria, provavelmente já ouviu falar das pérolas do PC Engine. Hoje, no Pixel Nostalgia, vamos desbravar as trevas de Ankoku Densetsu, um jogo que exala a aura dos anos 80 e 90 e que, apesar de parecer um “primo distante” de Castlevania, tem sua própria personalidade (e um bocado de bizarrice).

Origens: Das Trevas Japonesas para o Ocidente

Lançado originalmente em 1990 para o PC Engine no Japão, Ankoku Densetsu foi desenvolvido pela Victor Musical Industries. Se o nome não soa familiar, talvez você o reconheça pelo título ocidental: The Legendary Axe II.

Diferente do primeiro jogo da série (The Legendary Axe), que foi um sucesso estrondoso, esta sequência trouxe uma mudança radical no tom, tornando tudo muito mais sombrio e gótico. Enquanto no Japão ele manteve o nome místico, nos Estados Unidos ele chegou para tentar capitalizar em cima da fama do seu antecessor, embora sejam jogos bem diferentes em termos de atmosfera.

O jogo não teve o sucesso de seu predecessor, mas era interessante apesar da movimentação pesada.
O jogo não teve o sucesso de seu predecessor, mas era interessante apesar da movimentação pesada.

A História: Sangue, Realeza e Traição

A trama de Ankoku Densetsu não é para os fracos de coração. Você assume o papel do Príncipe Prince (sim, esse é o nome criativo no manual japonês), cujo reino foi devastado pelo seu próprio irmão maligno, o Lorde Drogu.

A motivação do herói é simples e puramente baseada em vingança e restauração: ele precisa atravessar sete estágios repletos de horrores para derrotar seu irmão e recuperar o trono que lhe foi roubado. Não há registros de que o jogo tenha sido derivado de algum mangá específico, mas ele bebe claramente da fonte de obras como Berserk e outros clássicos do dark fantasy japonês daquela época.

Capa do game em sua versão Japonesa
Capa do game em sua versão Japonesa

Jogabilidade: Machados, Magia e Movimentação

A jogabilidade é o ponto alto aqui. Esqueça o chicote; em Ankoku Densetsu, sua ferramenta de trabalho é o machado (ou espadas e maças, dependendo do power-up).

  • Arsenal Variado: Você pode coletar diferentes armas ao longo do caminho, cada uma com alcance e força distintos.
  • Barra de Força: Assim como no primeiro jogo, quanto mais tempo você fica sem atacar, mais o seu próximo golpe será carregado e devastador.
  • Magia: Existem orbes que permitem lançar ataques especiais, essenciais para limpar a tela quando os inimigos te cercam.
  • Movimentação: O personagem é pesado, o que exige pulos calculados. Não é um jogo de “corrida”, mas sim de posicionamento estratégico.
Capa do jogo na sua versão americana para o Turbo Grafx 16

Curiosidades e Bizarrices: O Lado Estranho das Trevas

Como todo bom jogo de PC Engine, este título tem seus momentos peculiares:

  • Design de Inimigos: Alguns chefes parecem ter saído de um pesadelo febril. Há uma mistura estranha de seres biomecânicos e criaturas mitológicas que não fazem o menor sentido juntos.
  • Atmosfera Opressiva: A trilha sonora é considerada uma das mais melancólicas do sistema, o que ajuda a criar uma sensação de isolamento constante.
  • O “Fake” Axe: Muitos fãs americanos ficaram decepcionados na época porque, apesar do nome Legendary Axe II, o jogo mudou tanto o estilo visual que parecia uma franquia completamente nova.

Abaixo algunas screens do jogo em ação!


Se você pretende jogar sem saber o final, pare por aqui!

Após enfrentar hordas de demônios, você finalmente chega ao confronto final contra seu irmão, Lorde Drogu. A batalha é épica e exige o uso máximo de seus reflexos. Ao derrotá-lo, o castelo começa a desmoronar. O herói consegue escapar e observa, do alto de uma colina, o sol nascer sobre as ruínas do antigo reino. É um final agridoce: o mal foi vencido, mas o preço pago em sangue e destruição foi imenso. O jogo possui apenas um final, reforçando o destino linear e trágico da linhagem real.

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