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Battletoads: O Guia Definitivo do Jogo Mais Difícil do Nintendinho!

Fala, gamer das antigas! Se você viveu a era de ouro do Nintendinho, com certeza tem uma cicatriz emocional (e talvez um controle quebrado) causada por Battletoads. Lançado em 1991, esse jogo não era apenas um “clone de Tartarugas Ninja” como muitos pensavam na época; ele era uma prova de fogo, um teste de reflexos e, acima de tudo, uma obra de arte técnica da lendária Rare.

Prepare o seu café (ou seu achocolatado, para entrar no clima dos anos 90) e venha comigo mergulhar no pântano mais radical da história dos videogames.

O jogo original do Nintendo 8 bits
O jogo original do Nintendo 8 bits

A Origem e o Enredo: Sapos contra a Rainha

Battletoads foi o projeto ambicioso da desenvolvedora britânica Rare, capitaneada pelos irmãos Tim e Chris Stamper. A ideia era clara: criar uma franquia que pudesse bater de frente com a febre das Tartarugas Ninja, mas com uma atitude muito mais agressiva, humor ácido e uma dificuldade que faria qualquer jogador de Dark Souls chorar no banho.

O enredo é puro suco de ficção científica dos anos 80/90. Dois sapos antropomórficos, Rash e Zitz, precisam resgatar seu parceiro Pimple e a Princesa Angelica, que foram sequestrados pela temível Dark Queen (a Rainha das Trevas). A bordo da nave Vulture, nossos heróis viajam até o Planeta Ragnarok para enfrentar o exército de ratos, mutantes e robôs da Rainha. É uma jornada de vingança, testosterona anfíbia e muitos socos que transformam o punho em uma marreta gigante!

Muitas vezes as coisas se resolviam assim, com um "pé na bunda"!
Muitas vezes as coisas se resolviam assim, com um “pé na bunda”!

Conheça o Esquadrão Anfíbio

Diferente de muitos jogos de 8 bits onde os personagens eram apenas “trocas de cores”, em Battletoads, cada sapo tinha sua personalidade, embora no NES a jogabilidade fosse idêntica para todos.

  • Rash (O Radical): É o sapo de óculos escuros. Ele é o rosto da franquia, conhecido por ser o mais exibicionista e legal. Se houvesse um concurso de “atitude”, ele ganharia com certeza.
  • Zitz (O Estrategista): O líder tático do grupo. Ele é geralmente o mais inteligente e o mentor por trás dos planos de resgate. Curiosamente, o nome “Zitz” vem de espinhas/acne, mantendo o tema “nojento mas legal”.
  • Pimple (A Força Bruta): O maior e mais forte dos três. Infelizmente, no primeiro jogo do NES, ele passa a maior parte do tempo como o “donzelo em perigo”, sendo o objetivo do resgate.

Curiosidade: Você sabia que houve um piloto de desenho animado dos Battletoads? Ele tentou seguir o rastro de sucesso das Tartarugas Ninja, mas era tão bizarro e genérico que nunca passou do primeiro episódio. Nele, os sapos eram adolescentes humanos que se transformavam em sapos. Bizarro, né?

Encarte original do jogo.
Encarte original do jogo.

As Fases: Uma Viagem ao Centro da Frustração

O design de fases de Battletoads é o que o torna lendário. O jogo muda de gênero constantemente: beat ‘em up, plataforma, corrida, rapel e até fases de nave.

A Lendária Turbo Tunnel (Fase 3)

Não dá para falar de Battletoads sem mencionar a fase da moto voadora. Para muitos, o jogo termina aqui. A Turbo Tunnel exige uma memorização milimétrica. A música acelera, os obstáculos aparecem em frações de segundo e o seu cérebro simplesmente entra em curto-circuito.

O segredo dessa fase não é o reflexo, é a memória muscular. Você precisa decorar cada rampa e cada muro de pedra. É o teste definitivo de paciência que separava as crianças dos adultos nas locadoras de videogame. Quem passava dessa fase era tratado como um deus no recreio da escola.

Outras Fases Marcantes:

  • Wookie Hole (Fase 2): Descendo por um cabo, chutando corvos e plantas carnívoras. A física aqui era incrível para o Nintendinho.
  • Surf City (Fase 4): Água, minas terrestres e tubarões. Mais uma dose de velocidade para os seus nervos.
  • Volkmire’s Inferno (Fase 6): Se você achou a Turbo Tunnel difícil, essa aqui é o nível “Dante Alighieri” de sofrimento.
Admita, você já ficou muito frustrado nesta fase!
Admita, você já ficou muito frustrado nesta fase!

Chefões: Gigantes e Bizarros

Os chefes de Battletoads são um espetáculo visual à parte. A Rare conseguiu extrair cores e tamanhos do NES que pareciam impossíveis.

  1. Talladega (O Walker): Logo na primeira fase, você enfrenta um robô gigante de uma perspectiva em primeira pessoa (através dos olhos do robô!). Era algo revolucionário para a época.
  2. General Slaughter: Um touro cibernético enorme que tenta te esmagar. Ele é a definição de “bullying” em forma de pixels.
  3. Robo-Manus: Um mutante biomecânico que aparece mais tarde no jogo e exige muita agilidade para ser derrotado.
  4. A Dark Queen: A grande vilã. Além de ser uma das personagens mais icônicas da era 8 bits, a luta final contra ela é um teste de resistência absurdo, onde ela gira como um furacão e tenta te arremessar para fora da torre.
A chefe final não era moleza não!
A chefe final não era moleza não!

Fatos Estranhos, Bizarras e Curiosidades

Battletoads é cercado de lendas e fatos que até hoje deixam a gente de cabelo em pé:

  • A Música do Pause: Sabe aquela batida de beatbox que toca quando você pausa o jogo? Ela é considerada uma das melhores composições da história dos games. Muita gente pausava o jogo só para dançar!
  • O Erro Fatal do Multiplayer: Existe um bug bizarro na fase 11 (Clinger-Winger). Se você estiver jogando em dupla, o segundo jogador simplesmente não consegue se mover corretamente, tornando impossível terminar o jogo em modo cooperativo no console original. Isso mesmo: o jogo te incentiva a jogar em dupla, mas te impede de vencer!
  • Violência Estilizada: O jogo introduziu o conceito de “Smash Hits”. Quando você dava o golpe final, o pé do sapo virava uma bota gigante ou as mãos viravam chifres de carneiro. Era gratificante e visualmente incrível.
  • Dificuldade Injusta? Tim Stamper admitiu anos depois que o jogo foi testado por pessoas que já sabiam jogar muito bem, o que acabou elevando a dificuldade a níveis astronômicos para o público comum.

Uma Finalização do Fundo do Coração

Para mim, Battletoads representa uma era onde os jogos não pegavam na nossa mão. Cada tela avançada era uma conquista real. Lembro de passar tardes inteiras jogando, tentando decorar os padrões da moto voadora, gritando de frustração quando o “fogo amigo” fazia um sapo bater no outro sem querer.

Mesmo sendo absurdamente difícil, ele tinha um carisma que poucos jogos conseguiram replicar. As animações eram fluidas, a trilha sonora de David Wise era impecável e a sensação de progresso era viciante. Se você nunca jogou, prepare o emulador (com savestates, eu não te julgo!) e experimente essa obra-prima. E se você jogou… bem, eu sinto a sua dor até hoje, parceiro!

E você? Até qual fase conseguiu chegar sem usar trapaças? Deixe nos comentários e vamos relembrar esse sufoco juntos!

Pixel Nostalgia

Relembrando o melhor da era 8 e 16 bits — um byte de cada vez.

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