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Breath of Fire II traduzido PT-BR: os dragões agora falam a nossa língua

13 minutos de leituraTempo estimado • leitura a 200 palavras/min

Uma conversa importante começava, a música mudava e você sabia que alguma coisa séria estava acontecendo. Só faltava entender o quê. Breath of Fire II traduzido PT-BR ajuda a resolver uma velha pendência de quem conheceu os RPGs do Super Nintendo com pouco inglês e muita disposição para explorar.

Dava para vencer batalhas, comprar uma espada melhor e encontrar a próxima cidade. Mas quem era aquele sujeito? Por que a princesa estava sofrendo? E como uma missão para ajudar um amigo tinha virado uma história sobre demônios e dragões?

Capa do jogo no super Nintendo.

A tradução brasileira comandada por Dindo abre essas portas. Ela permite acompanhar os diálogos em português e traz ajustes que tornam a leitura mais confortável. O link para acessar o lançamento e procurar o download do patch estará no final da matéria. Antes, vale lembrar por que essa aventura merece voltar à tela.

Antes do segundo cartucho, uma guerra entre dragões

Breath of Fire II foi desenvolvido pela Capcom e lançado no Japão em 1994. A versão americana chegou em 1995, levando ao Super Nintendo uma aventura de batalhas por turnos, cidades para explorar e um elenco que certamente não passaria despercebido na fila de uma locadora.

O primeiro Breath of Fire já havia apresentado esse mundo de povos diferentes e poderes dracônicos. Seu protagonista, Ryu, pertencia ao clã dos Dragões da Luz. Quando os Dragões das Trevas atacaram seu vilarejo e capturaram sua irmã, Sara, ele partiu em busca de respostas.

Ryu e sua turma que vai encontrando durante a aventura.

A perseguição envolvia Zog, o imperador dos Dragões das Trevas, e sua ambição de dominar o mundo. No centro da disputa estavam chaves capazes de libertar uma deusa selada. Jade e Myria, conhecida como Tyr na localização inglesa original, tornavam o conflito ainda mais perigoso.

Com a ajuda de seus companheiros, Ryu enfrentou esses inimigos. A guerra terminou, mas suas consequências continuaram fazendo parte daquele universo.

Quinhentos anos depois, outro Ryu entra em cena

A história de Breath of Fire II acontece cerca de 500 anos após o primeiro jogo. Seu protagonista também se chama Ryu, mas é outro personagem. O nome volta; a vida, os companheiros e os problemas são diferentes.

Dessa vez, a aventura começa em Gate. Ainda criança, Ryu vive com o pai, Ganer, e a irmã, Yua. Até que os dois desaparecem e o menino encontra algo tão assustador quanto a ausência da família: os moradores parecem ter esquecido quem ele é.

Ryu pescando algo comum no jogo. Fonte da imagem: Internet.
Ryu pescando algo comum no jogo. Fonte da imagem: Internet.

Imagine voltar para casa e descobrir que ninguém reconhece você. Para um jogo com personagens coloridos e criaturas simpáticas, a abertura já chega com um desconforto considerável.

Ryu conhece Bow, e os dois deixam o vilarejo. Durante essa fuga, encontram Barubary, uma criatura enorme que percebe algo especial no garoto. O encontro deixa uma ameaça no ar, como uma promessa de que aquela história ainda está longe de acabar.

Anos mais tarde, os amigos trabalham como Rangers, aceitando serviços para ganhar a vida. Quando Bow é acusado injustamente de roubo, Ryu tenta provar sua inocência. Esse é o ponto de partida para uma jornada que acaba revelando problemas muito maiores.

Um grupo que daria trabalho até para o mestre de RPG

Parte do prazer de jogar Breath of Fire II está em conhecer seus companheiros. Você escolhe quem vai lutar, mas também acompanha pessoas com histórias próprias, relações familiares complicadas e segredos que aparecem pelo caminho.

Ryu e Bow: a amizade que coloca tudo em movimento

Ryu é o espadachim ligado ao poder dos dragões. Ele carrega as perguntas deixadas por sua infância e assume o centro da aventura.

Bow é seu amigo desde aqueles dias difíceis em Gate. A acusação contra ele dá ao protagonista um motivo imediato para agir. Antes de salvar o mundo, Ryu precisa ajudar alguém que esteve ao seu lado quando ninguém mais parecia conhecê-lo.

Nina e Katt: asas negras e um bastão nada delicado

Nina é uma princesa de Windia. Suas asas negras são vistas como um mau presságio, e esse preconceito pesa sobre sua relação com o próprio povo. A personagem traz uma história de rejeição que ganha muito mais força quando seus diálogos podem ser compreendidos.

Katt, do clã felino Woren, entra na aventura pelo ambiente das lutas de coliseu. Seu jeito direto e sua presença no combate ajudam a dar personalidade ao grupo. Se uma situação pode ser resolvida com uma boa pancada, ela provavelmente já está considerando essa possibilidade.

Rand, Sten, Jean e Spar: cada um com sua bagagem

Rand é um integrante robusto do clã Shell. Por trás da aparência resistente, sua história passa pela relação com a mãe e por escolhas que o afastaram de casa.

Sten pertence a um povo semelhante a macacos. Ele vive de apresentações e truques, mas também tem um passado como soldado. Quando esse passado retorna, sua postura brincalhona deixa espaço para assuntos mais sérios.

Jean é o príncipe ligado a SimaFort. Sua aparência de sapo acompanha uma trama de identidade, feitiços e disputa pelo trono. E, como veremos adiante, os problemas da realeza local incluem um concurso culinário de gosto bastante duvidoso.

Spar é um ser vegetal encontrado em um circo. Sua ligação com a natureza oferece outro olhar sobre aquele mundo. É o tipo de personagem que lembra como a série gostava de montar grupos pouco convencionais.

Bleu: um rosto conhecido para quem jogou o primeiro

Bleu, também chamada Deis, é uma feiticeira com corpo de serpente que pode ser recrutada de forma opcional. Sua presença cria uma ligação com a aventura anterior e recompensa quem gosta de explorar além do caminho principal.

Alguns nomes podem aparecer com grafias diferentes entre a versão americana e as retraduções. Isso faz parte do histórico de localização do jogo.

Os inimigos que deixam essa aventura mais sombria

Atenção: esta parte revela elementos importantes da história.

Barubary deixa sua marca logo na infância de Ryu. Ele tem uma aparência ameaçadora e uma ligação direta com o destino do protagonista. Quando volta a ganhar importância, o encontro pesa justamente porque aquela criatura já estava na memória do jogador.

Habaruku representa um perigo mais discreto. Por trás de sua posição na Igreja de St. Eva, ele participa de ações demoníacas. A confiança depositada numa figura de autoridade se torna uma ferramenta de manipulação.

Já Deathevan é a grande ameaça do segundo jogo. Sua origem está ligada ao mal deixado por Myria, conectando a nova aventura às consequências do primeiro Breath of Fire.

Esses elementos dão outro peso à jornada. Você encontra lugares acolhedores e personagens engraçados, mas também percebe que existe algo errado por baixo daquela aparência tranquila. Em determinados momentos, o jogo chega bem perto do clima de um conto de terror.

Breath of Fire II traduzido PT-BR: o trabalho de Dindo e da equipe

O projeto brasileiro foi apresentado por Dindo no Fórum Unificado de Romhacking e Tradução, em romhacking.net.br. O desenvolvimento ganhou um tópico em dezembro de 2023, e o lançamento foi publicado em fevereiro de 2025.

Dindo assumiu a tradução e parte do romhacking. Ao lado dele, outros colaboradores cuidaram das tarefas necessárias para colocar o português dentro do jogo:

  • denim: extração dos textos, romhacking e trabalho nos menus.
  • Taihen: menus e ajustes no destaque das opções.
  • Saty: trabalho no tilemap e na expansão da fonte.
  • Venom Snake: revisão.

A tradução brasileira utiliza como base a retradução de Ryusui e d4s. Esses nomes também fazem parte dos créditos e da história do projeto.

Quem olha apenas para as frases prontas pode não perceber o tamanho do serviço. É preciso extrair os textos, lidar com o espaço disponível, ajustar a exibição das letras e revisar o resultado dentro das situações do jogo. Uma frase pode estar correta no arquivo e ainda assim ultrapassar a caixa de diálogo.

Letras mais confortáveis e menos aperto nas janelas

A versão inclui uma fonte VWF, sigla para fonte de largura variável. Em termos simples, uma letra estreita ocupa menos espaço do que uma letra larga. Isso permite distribuir melhor o texto na tela.

Também há janelas de diálogo modificadas e um comando para correr mais rápido. Itens, magias, armas, armaduras, cidades e inimigos receberam tradução, enquanto nomes como Gate e Township foram preservados intencionalmente.

O projeto informa tradução, acentuação, hacking e revisão concluídos. Trata-se de uma localização de fãs para a versão de Super Nintendo, sem vínculo com um lançamento oficial da Capcom.

Vale lembrar que esse esforço tem uma história anterior. Em 2005, os grupos Hexagon e Trans-Center já haviam trabalhado numa tradução do jogo, com limitações técnicas. A iniciativa de Dindo acrescenta um novo capítulo a essa caminhada da comunidade brasileira.

Entender a conversa também faz parte de jogar

Para quem tem dificuldade com inglês, um RPG pode oferecer duas experiências muito diferentes. Na primeira, você acompanha o enredo. Na segunda, tenta descobrir o que fazer observando o mapa, repetindo caminhos e torcendo para ter interpretado alguma palavra corretamente.

Os dois jeitos podem render diversão, mas muita coisa se perde quando os diálogos ficam pelo caminho.

Com a tradução, a rejeição sofrida por Nina ganha contexto. A amizade de Ryu e Bow fica mais clara. Uma informação que parecia conversa sem importância pode se revelar uma pista para a próxima etapa.

Esse acesso também ajuda quem entende o básico do idioma, mas se cansa diante de conversas longas. A leitura em português permite acompanhar a aventura com mais autonomia e perceber detalhes que antes passavam despercebidos.

Agora imagine ter encontrado essa versão na época do lançamento. O cartucho alugado precisava voltar para a locadora na segunda-feira, o fim de semana estava acabando e você ainda não sabia por que aquela porta continuava fechada. Uma frase entendida poderia mudar completamente a sessão de jogo.

As batalhas continuam exigindo atenção, e os inimigos não ficam mais gentis por falar português. Pelo menos, você passa a entender melhor por que está enfrentando tudo aquilo.

Curiosidades: dragões, baratas e um jantar suspeito

A disputa pelo trono passa pela cozinha

SimaFort oferece uma das situações mais esquisitas da aventura: um concurso culinário ligado à disputa pelo trono.

Para conseguir os ingredientes, o grupo enfrenta criaturas como uma barata gigante, um verme e uma mosca dourada. Aparentemente, a gastronomia daquele reino segue critérios bem diferentes dos nossos.

É uma sequência que combina confusão política com humor absurdo. Você entra pensando em príncipe e impostor; daqui a pouco, está procurando material para uma receita que faria qualquer apresentador de culinária abandonar o programa.

O cliente é o prato principal

O restaurante Wildcat começa a ficar suspeito quando suas regras pedem que o grupo entregue equipamentos e passe sal e pimenta no próprio corpo.

A intenção do anfitrião é preparar os visitantes como comida. A cena brinca com aquela disposição típica do jogador de obedecer a tudo que aparece na tela, mesmo quando os pedidos já deveriam ter despertado alguma desconfiança.

Antes de aceitar o “especial da casa”, talvez seja melhor conferir quem está no cardápio.

Uma baleia resolve o problema do transporte

Grandpa é uma baleia que caiu num sono profundo depois de engolir uma estátua demoníaca. Quando o problema é resolvido, ela ajuda o grupo a viajar pelos mares.

O jogo transforma uma criatura adormecida em parte da exploração do mundo. E faz isso com uma explicação que combina perfeitamente com seus acontecimentos mais estranhos.

As fusões mudam mais do que os números

O sistema de fusão com xamãs fortalece integrantes do grupo. Certas combinações também mudam sua aparência e suas habilidades.

Experimentar essas possibilidades acrescenta variedade às batalhas. Um personagem conhecido pode ganhar outra função, dando um novo motivo para reconsiderar a formação da equipe.

Herói também precisa pensar nos vizinhos

Em Township, você participa do desenvolvimento de uma comunidade e convida moradores para viver ali. Essas escolhas podem oferecer serviços e benefícios durante a aventura.

É uma atividade que dá vontade de visitar o lugar novamente para ver como ficou. Entre uma ameaça demoníaca e outra, sobra espaço para cuidar daquela pequena cidade.

Cadê a abertura musical?

A retradução internacional tem uma introdução animada com música. Na versão brasileira pública, Dindo optou por retirar essa sequência.

Esse detalhe evita uma confusão comum: não encontrar a abertura musical depois de aplicar o patch brasileiro não indica, por si só, um problema na instalação.

Ainda há muita história escondida nesse cartucho

Voltar a Breath of Fire II em português pode mudar a lembrança que você tinha dele. Uma personagem antes conhecida apenas pelas magias ganha uma história. Um vilão deixa de ser só o próximo chefe. Uma conversa finalmente explica aquele caminho que parecia não levar a lugar nenhum.

A tradução de Dindo e seus colaboradores oferece essa oportunidade tanto a quem já conhece o jogo quanto a quem vai descobri-lo agora. E os créditos merecem espaço: foram essas pessoas que trabalharam para aproximar a aventura do público brasileiro.

A versão 1.01, registrada em 6 de abril de 2025, trouxe correções e ajustes no menu de fusão, em nomes exibidos, no destaque de seleção de personagens e em falas que ultrapassavam suas caixas de texto.

A ROM certa para aplicar a tradução

O patch foi preparado para a ROM americana original de Breath of Fire II para Super Nintendo. Os dados indicados pelo autor são:

  • Nome do arquivo: Breath of Fire II (USA).sfc
  • CRC32: 67CDACC5
  • SHA-1: 1F7707E606B7E9FA8FB3908BBDDFCB5DEA93D776

O nome do arquivo ajuda a identificar a versão, mas os códigos conferem seu conteúdo. Apenas renomear uma ROM japonesa, europeia ou modificada não a torna compatível.

Mantenha uma cópia do arquivo original e siga as instruções fornecidas com o patch. A orientação do projeto é usar a ROM americana limpa, sem aplicar outra retradução antes.

Para acompanhar o trabalho, conferir as instruções e procurar o download da tradução, acesse o tópico de lançamento mantido por Dindo no fórum:

Acessar Breath of Fire II traduzido PT-BR no Fórum Unificado de Romhacking e Tradução.

Confira aqui a tradução do Breath of Fire I para PT-BR também

Depois disso, resta preparar a equipe e voltar à estrada. Há um amigo para defender, mistérios para resolver e uma cozinha de SimaFort que talvez fosse melhor nunca conhecer por dentro.

Créditos pela tradução:
Baseado na tradução de Ryusui/d4s romhacking.net

Tradução e romhacking: Dindo
Dump: denim
Menus/Highlight: Taihen
Tilemap/Expansão da Fonte: Saty
Revisão: Venom Snake

Publicada originalmente no site: https://www.romhacking.net.br/index.php?topic=2636.0

Pixel Nostalgia
Relembrando o melhor da era 8 e 16 bits — um byte de cada vez.

E a sua memória?
Qual era o ataque preferido que você gostava de usar do Ryu ou um dos membros da equipe? Conte pra gente!
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