Alien no Atari 2600: No espaço, ninguém ouve você comer pastilhas
Fala, galera nostálgica! Hoje vamos desenterrar um cartucho que, para muita gente, foi o primeiro contato com o terror no console de madeira. Preparem seus joysticks e ajustem o tracking da TV, porque vamos falar de Alien para o Atari 2600.
Se você viveu a febre dos videogames no início dos anos 80, sabe que adaptar filmes para jogos era uma roleta russa. Podia sair uma obra-prima ou… bem, um E.T. Mas a 20th Century Fox resolveu entrar na brincadeira e, em 1982, nos entregou uma pérola que merece ser revisitada.
O Lançamento e a Recepção: Um Sobrevivente do Crash
Lançado em novembro de 1982, Alien chegou em um momento complicado. O mercado estava sendo inundado por jogos de qualidade duvidosa baseados em filmes. Mas, para a surpresa de todos, ele não foi um desastre. Pelo contrário!
A mídia especializada da época e os jogadores receberam o jogo relativamente bem. A crítica elogiou o fato de ser um jogo de labirinto competente. Curiosamente, muitos consideram que Alien conseguiu ser um “Pac-Man” muito melhor do que o próprio Pac-Man oficial lançado pela Atari, que foi uma decepção visual. Ele tinha gráficos mais limpos, sons melhores e uma jogabilidade que não piscava tanto quanto o fantasma do concorrente.

A História e a Missão: Corra, Ripley, Corra!
A premissa do jogo tenta seguir o clima tenso do filme de 1979 de Ridley Scott, mas adaptado para a limitação de 8 bits. Você controla um membro da tripulação da Nostromo (vamos assumir que é a Ripley, ou talvez apenas um “pixel corajoso”) correndo pelos corredores labirínticos da nave.
Sua missão é clara: O chão da nave está infestado de (LAVA, brincadeira) ovos de Alien. Você precisa passar por cima de todos eles para esmagá-los e limpar a área.
Mas não é tão simples. Enquanto você faz a faxina espacial, três Aliens adultos (que parecem muito com fantasmas coloridos, diga-se de passagem) estão te caçando.
A Jogabilidade e as Armas: Diferente do Pac-Man, onde você é quase indefeso, em Alien você tem um arsenal, ou quase isso. O jogo introduziu o Lança-chamas.
- Lança-chamas: Você pode usá-lo para afastar os Aliens temporariamente. Mas cuidado: o combustível é limitado e, se acabar, você vira jantar.
- Pulsars: São os equivalentes às “pílulas de força”. Ao pegar um Pulsar, a mesa vira: os Aliens ficam vulneráveis e você pode atacá-los. O bizarro é que, visualmente, eles encolhem e somem, como se você tivesse “comido” o xenomorfo.
- Final do Jogo: Como a maioria dos jogos da era arcade/Atari, Alien não tem um final com créditos subindo. O objetivo é a pontuação (High Score). Você limpa a tela, o jogo fica mais rápido, os Aliens mais agressivos, e você joga até perder todas as vidas.

Fatos Estranhos, Bizarros e Curiosos
Aqui é onde a coisa fica divertida para nós, geeks de plantão. O jogo Alien tem umas peculiaridades que só a era 8 bits poderia proporcionar:
- O “Crossover” com Frogger: Você sabia que o jogo tem uma “fase bônus”? Ao completar um nível, você joga um minigame que é, descaradamente, uma cópia de Frogger (ou Freeway, créditos ao Frogger que foi lançado 1 mês antes de Freeway) (aquele do sapinho atravessando a rua). Do nada, a Ripley vira um sapo espacial. É aleatório e maravilhoso.
- Canibalismo Espacial? A mecânica de “comer” os Aliens quando você pega o poder especial é hilária se você pensar na lógica do filme. Imagine a Ripley mastigando o monstro que tem ácido no lugar de sangue?. Haja antiácido (ha ha ha… infame)!
- O Criador Lendário: O programador por trás desse jogo é Doug Neubauer. Se o nome não te soa familiar, saiba que ele é o gênio que criou Star Raiders, um dos jogos tecnicamente mais impressionantes do Atari 8-bit. Isso explica por que Alien é tão bem programado para a época.

O Legado do Alien de 8 Bits
Olhando hoje, é fácil chamar Alien de um “clone de Pac-Man”. E ele é. Mas foi um clone feito com carinho. A Fox Video Games (sim, a Fox tinha uma divisão de games) queria capitalizar no sucesso do filme, mas entregou um produto sólido.
O mais irônico dessa história toda é que, se você quisesse uma experiência de “labirinto” decente no seu Atari em 1982, era melhor comprar o cartucho do Alien do que o do próprio Pac-Man. O jogo capturou a ansiedade de ser perseguido, mesmo que os monstros parecessem gomas de mascar coloridas.
Se você ainda tem um Atari empoeirado ou um emulador, vale a pena jogar Alien por 15 minutos (ou mais vamos lá!). É uma aula de como o design de jogos simples pode ser viciante e, às vezes, um pouco assustador (principalmente quando o lança-chamas falha!).
E você, já teve a chance de esmagar ovos de Alien no Atari? Conte nos comentários se você conseguia passar da terceira tela sem entrar em pânico!
Pixel Nostalgia Relembrando o melhor da era 8 e 16 bits — um byte de cada vez.
Video com gameplay do jogo Alien do Atari 2600