Lemmings no Super Nintendo: O Caos Controlado que Amamos
“Let’s go!” Se você ouviu essa vozinha fina na sua cabeça agora, parabéns: você teve uma infância incrível. Hoje, aqui no Pixel Nostalgia, vamos desenterrar um dos jogos de puzzle mais viciantes, estressantes e carismáticos da história: Lemmings.
Esqueça por um momento os cogumelos do Mario ou a velocidade do Sonic. No início dos anos 90, o verdadeiro teste de inteligência e reflexo era impedir que centenas de criaturas de cabelo verde (ou azul, dependendo da versão) se jogassem de um penhasco. Prepare o seu mouse do SNES (ou o controle mesmo) e venha relembrar essa pérola.
De onde vieram essas criaturinhas? (A Origem)
Você sabia que a mente por trás de Lemmings é a mesma que, anos depois, nos daria a franquia Grand Theft Auto (GTA)? Pois é! O jogo foi desenvolvido pela DMA Design, um estúdio escocês fundado por David Jones (não Davy Jones o pirata ☠️).
Originalmente lançado para o computador Amiga em 1991, o jogo foi um sucesso estrondoso, vendendo milhões de cópias. A versão de Super Nintendo, que é o nosso foco hoje, chegou logo em seguida, portada pela Sunsoft e publicada pela lendária Psygnosis (aquela do logo da coruja, lembra?).
A recepção foi absurda. A mídia especializada da época, como a Nintendo Power e a Super Game Power aqui no Brasil, aclamou o jogo pela sua originalidade. Não era plataforma, não era tiro; era pura estratégia em tempo real. O público amou a mistura de humor ácido com raciocínio lógico, transformando Lemmings em um ícone pop instantâneo.

A História: Uma Migração Suicida?
A premissa de Lemmings é simples, mas carrega um charme narrativo interessante. Não há um grande vilão sequestrando uma princesa. A história gira em torno da migração.
Os Lemmings são criaturas roedoras antropomórficas que possuem um instinto de migração incontrolável. O problema? Eles são completamente desprovidos de inteligência individual ou senso de autopreservação. Se o primeiro andar em direção a uma trituradora, todos os outros o seguirão alegremente.
Sua missão, como uma espécie de divindade ou “guia supremo”, é ajudar esses seres a atravessar terrenos perigosos cheios de armadilhas, fogo, gelo e abismos, guiando-os em segurança até a porta de saída (que parece uma casinha ou um portal dimensional, dependendo da fase).
Jogabilidade: Salvando (ou Explodindo) Vidas
No Super Nintendo, a jogabilidade de Lemmings foi adaptada de forma brilhante. Embora o jogo original usasse mouse, a Sunsoft fez um ótimo trabalho mapeando o cursor para o D-Pad do controle do SNES. Claro, se você tivesse o Super NES Mouse (aquele que vinha com o Mario Paint), a experiência ficava idêntica à do PC.
O objetivo é simples: uma porta se abre no céu, e os Lemmings começam a cair. Você precisa atribuir funções (skills) a lemmings específicos para alterar o comportamento do grupo e criar um caminho seguro.
As habilidades clássicas são:
- Climber (Escalador): Sobe paredes verticais.
- Floater (Paraquedista): Abre um guarda-chuva para cair devagar e não morrer na queda.
- Bomber (Explosivo): O famoso “homem-bomba”. Ele explode após 5 segundos, abrindo buracos no cenário (e se sacrificando).
- Blocker (Bloqueador): Fica parado e faz todos os outros lemmings darem meia-volta. Essencial para controlar o fluxo.
- Builder (Construtor): Constrói uma escada de 12 degraus. Provavelmente a habilidade mais usada e a que dá mais desespero quando acaba.
- Basher (Escavador Horizontal): Cava para frente.
- Miner (Minerador): Cava na diagonal para baixo.
- Digger (Escavador Vertical): Cava diretamente para baixo.
O desafio é que você tem uma quantidade limitada dessas habilidades por fase e um tempo cronometrado. Além disso, cada fase exige que você salve uma porcentagem mínima de Lemmings (ex: 50%, 100%). Se morrerem muitos, é Game Over.

Inimigos e Personagens
Diferente de Mario ou Zelda, em Lemmings não existem “chefões” ou Goombas.
- Os Personagens: São todos iguais. Pequenos, vestes azuis, cabelos verdes e uma fé cega no destino. Eles não têm nome, mas você vai se apegar a eles (e sentir culpa quando deixá-los morrer).
- Os Inimigos: O cenário é o seu maior inimigo. A gravidade, a água (eles não sabem nadar), a lava, armadilhas de urso, esmagadores de metal e lança-chamas. O próprio tempo também é um adversário cruel.
O Fenômeno Multiplataforma
Embora estejamos falando da versão de SNES, é impossível não citar que Lemmings foi o Skyrim ou Doom da sua época: rodava em tudo! Além do Super Nintendo e Amiga, o jogo apareceu no:
- PC (MS-DOS)
- Mega Drive (Genesis)
- Master System e NES (versões 8-bits surpreendentes)
- Game Boy (em preto e branco e difícil de enxergar, mas estava lá)
- Game Gear, 3DO, CD-i… a lista é infinita.
A versão de SNES se destaca pelos gráficos coloridos e vibrantes e pela trilha sonora adaptada que usava bem o chip de som da Nintendo.

Curiosidades Bizarras e Divertidas
Aqui no Pixel Nostalgia, a gente adora um fato curioso. E Lemmings tem vários:
- O Mito da Disney: O jogo foi inspirado na crença popular de que lemmings (os animais reais) cometem suicídio em massa pulando de penhascos. Mas isso é falso! Esse mito foi popularizado por um documentário da Disney de 1958 chamado White Wilderness, onde os produtores, infelizmente, forçaram os animais a pular para criar uma cena dramática. O jogo perpetuou esse mito de forma cômica.
- O Botão do Apocalipse: Sabe quando você erra a estratégia e percebe que não tem mais como passar de fase? O jogo tem um botão de “Nuke” (geralmente Select + Start ou um ícone de cogumelo nuclear). Ao acionar, todos os Lemmings na tela colocam a mão na cabeça, gritam “Oh no!” e explodem simultaneamente como fogos de artifício. É sádico, mas estranhamente satisfatório.
- Participação Especial: Em algumas versões, os Lemmings aparecem em outros jogos, e personagens de outros jogos aparecem aqui. A versão de SNES é bem fiel, mas a sequência Lemmings 2: The Tribes expandiu muito esse universo.
A Trilha Sonora Inesquecível (Seção Bônus)
Não dá para falar de Lemmings sem citar a música. A trilha sonora é uma mistura genial de canções folclóricas de domínio público (como “London Bridge is Falling Down” e o “Can-Can”) e composições originais funk/pop criadas por Tim Wright. No SNES, essas músicas ganharam arranjos instrumentais que ficam na cabeça por décadas. Se você jogar hoje, vai assobiar junto em menos de 5 minutos.
⚠️ ALERTA DE SPOILER: O Final do Jogo ⚠️
Se você nunca zerou Lemmings no modo “Mayhem” (o mais difícil) e quer tentar, pare por aqui. Caso contrário, vamos ver o que acontece.
O jogo é dividido em dificuldades: Fun, Tricky, Taxing e Mayhem. Ao completar todos os níveis insanos do modo Mayhem no Super Nintendo — que exigem precisão de pixel e reflexos de ninja —, você é recebido com uma tela de parabenização.
Diferente de RPGs com finais elaborados, o final de Lemmings é simples, mas gratificante para a época. Aparece uma tela com todos os lemmings fazendo uma festa, pulando e comemorando, com um texto dizendo algo como: “Congratulations! You are a master Lemmings player!” (Parabéns! Você é um mestre jogador de Lemmings).
Depois disso, os créditos rolam mostrando os nomes dos desenvolvedores da DMA Design e Sunsoft, muitas vezes com os próprios lemmings interagindo com os nomes. A verdadeira recompensa era o direito de se gabar na escola, porque zerar o modo Mayhem no controle do SNES era tarefa para poucos!
Conclusão
Lemmings no Super Nintendo é uma prova de que um conceito simples, executado com criatividade e polimento, pode se tornar atemporal. Ele ensinou uma geração inteira a pensar rápido, gerenciar recursos e, claro, lidar com a frustração de ver seus planos irem pelos ares (literalmente). Se você tem um SNES ou um emulador, vale a pena revisitar esse quebra-cabeça caótico.
E você, qual era sua estratégia favorita? Usava o Blocker ou tentava fazer tudo na velocidade da luz?
Pixel Nostalgia Relembrando o melhor da era 8 e 16 bits — um byte de cada vez.
Abaixo vídeo de um gameplay completo do inicio ao fim do jogo Lemmings do Super Nintendo